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FIGUREIRAS

A região do Vale do Paraíba possui um valioso elemento que compõe os solos nas margens de seus rios e riachos, a argila, também conhecida como barro. Cidades como Pindamonhangaba, Taubaté, Caçapava, São José dos Campos e Jacareí, carregam até os dias de hoje a tradição da cerâmica figurativa, que nasce das influências de povos que passaram pela região em seus mais variados contextos, entre eles, indígenas, negros e lusitanos. Uma herança que se mistura entre os mares de morros, caminhos trilhados, leitos de rios, modos de fazer, imaginar e existir num determinado espaço.

Quem faz esse tipo de arte é conhecida como FIGUREIRA. Importante citarmos que, por mais que existam homens que também 'colocam a mão na massa', são as mulheres a maioria. Por isso, aqui, vamos nos referir a esses artistas no feminino.

Dona Eugênia fazendo pavão_Cascia Frade_

As peças confeccionadas são chamadas de figuras. Representam seus cotidianos, devoções, festejos, modos de ver e estar no mundo. As figureiras observam e interpretam a vida de maneira sensível. Por meio do barro, registram com originalidade suas histórias de vida e do Vale do Paraíba. São pequenos detalhes das peças que carregam grandes significados de suas existências.

Clique nos botões abaixo e confira fotos sobre cada aspecto das figureiras do Vale do Paraíba.

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E como fazem?

 

Em um tempo não muito distante, quando a cidade engatinhava em seu crescimento, as figureiras colhiam o barro nas margens de rios ou riachos nas redondezas de suas moradas, com desenvoltura considerável para escolher um “bom barro” para modelar. Atualmente, por diversas questões que a urbanização trouxe, não é mais seguro e viável fazer a retirada nesses locais. Assim, as argilas são compradas de fornecedores.

Mudinha amassando barro_ nov 1999_MF.F.4
Mudinha amassando barro_ nov 1999_MF.F.4
Mudinha fazendo figura_MF.F.408.01.jpg

O local onde trabalham também varia, pode ser no quintal de casa, no aconchego do lar, em espaços destinados à oficinas ou associações que fundaram. Depois de preparar o barro e deixá-lo no ponto certo, a modelagem se inicia não seguindo necessariamente um padrão. Cada artista cria seu melhor método, começando do meio para as extremidades, de cima para baixo, variando de acordo com suas habilidades. Tem quem faça tudo num único bloco, tem quem encaixe em pedaços. Algumas peças possuem pequenos pedaços de arames, varetas ou palitos para garantir estrutura e estabilidade.

As ferramentas para moldes, incisões e acabamentos podem ser as mesmas usadas para as estruturas, além de outros objetos dignos de curiosidade, como por exemplo, um bom e velho pente de cabelo. Porém, a principal de todas são os dedos que dão forma e vida às figuras! São eles que vão alisar o barro, apertar na medida certa e trazer a forma desejada.

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Mudinha preparando tinta_MF.F.408.09.jpg
Mudinha pintando figura_MF.F.408.04.jpg

A próxima etapa é colocar as peças para secar. Aqui está presente mais um elemento importante dessa arte, o tempo. As peças das figureiras não são, em sua maioria, queimadas. São cerâmicas cruas, secas de acordo com a temperatura ambiente. Quando se possui um fogão à lenha, as peças ficam dispostas nele. Ou recebem a luz e o calor do sol. As figureiras mais antigas confeccionavam pinceis com varetas, linhas, algodões e pintavam as figuras, depois de secas, com tinta preparada com água, cola e pó xadrez Atualmente, usam pincéis e tintas industrializadas. As cores mais usadas são o azul, vermelho e amarelo.*

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A sabedoria do fazer é transmitida entre as gerações, seja por algum vínculo familiar ou de vizinhança. Não podemos esquecer da importância do lúdico, pois a brincadeira também coabita na aprendizagem.

Lili ensinando neto Felipe_Lídia Bernard
Presépio gruta feito por Mudinha_MF.F.40

A tradição das figuras está intimamente ligada à feitura de presépios vendidos nos mercados municipais ou praças, principalmente na cidade de Taubaté. Na chegada do mês de outubro iniciavam suas produções intensas para serem vendidas em dezembro. Porém, com a vinda do professor folclorista Rossini Tavares de Lima para a região, a valorização e notoriedade que as figureiras receberam, as fizeram chegar nos patamares de grandes eventos, galerias, exposições nacionais e internacionais. Assim, suas produções passaram a ocorrer ao longo do ano todo e não somente na época natalina.

Falar das figureiras é trazer a construção da identidade do Vale do Paraíba, sua herança, histórias, valores e causos de uma região rica de um povo que cria, convive e produz da terra, com a terra e para a terra.

Quem quiser encomendar, adquirir e se encantar com as belezas das figureiras da nossa região, é só entrar em contato pelos telefones disponibilizados abaixo. Compre de quem faz: 

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SAIBA MAIS

*Sala do Artista Popular/Catálogo nº 28: Figureiros de Taubaté  
O galinho do céu: os saberes das figureiras de Taubaté